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16 de maio de 2018 às 19:57

Alckmin e Bolsonaro disputam votos de ruralistas em feira agropecu√°ria

Dois dos pré-candidatos à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSL) disputaram nesta quarta-feira (16) a atenção de produtores rurais em uma feira de tecnologia agropecuária no entorno de Brasília.

Dois dos pr√©-candidatos √† Presid√™ncia Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSL) disputaram nesta quarta-feira (16) a aten√ß√£o de produtores rurais em uma feira de tecnologia agropecu√°ria no entorno de Bras√≠lia.

Sem divulgar sua agenda, Bolsonaro foi o primeiro a chegar √† AgroBras√≠lia, feira que, no ano passado, movimentou R$ 710 milh√Ķes em neg√≥cios, segundo a organiza√ß√£o do evento.

Ao conversar com jornalistas especializados em agronegócio adotou discurso que agrada produtores rurais.

Disse que as a√ß√Ķes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) deveriam ser tipificadas como terrorismo, defendeu que a libera√ß√£o de defensivos agr√≠colas n√£o seja decidida pela Anvisa (Ag√™ncia Nacional de Vigil√Ęncia Sanit√°ria, vinculada ao Minist√©rio da Sa√ļde), mas apenas pelo Minist√©rio da Agricultura, sob influ√™ncia de ruralistas.

Bolsonaro também voltou a defender o armamento dos produtores rurais.

“Se depender de mim, o homem do campo vai ter fuzil em sua propriedade. Acho que isso n√£o √© ser radical”, disse, sendo interrompido por gritos de “mito”.

“√Č voc√™ ser irrespons√°vel e inconsequente deixar o homem do campo desarmado, √† merc√™ de MST e outro tipo de bandidagem”, concluiu.

Mais tarde, ao deixar a feira, uma nova entrevista foi interrompida in√ļmeras vezes por pessoas que queriam fazer selfies com o pr√©-candidato que aparece com 15% a 17% de inten√ß√£o de voto em todos os cen√°rios pesquisados pelo Datafolha.

Questionado sobre a uni√£o de partidos de centro como DEM, PP, SD, PRB e PSC para tentar fazer um candidato e montar um bloco com poder de negociar espa√ßos no governo com o futuro presidente, Bolsonaro foi ir√īnico.

“Est√£o se unindo para levar um tiro s√≥”, afirmou, antes de colocar um chap√©u de r√°fia na cabe√ßa para mais fotos.

Sobre a posição de Ciro Gomes, que aparece entre 5% a 9% nos cenários apresentados pelo Datafolha, ele disse não estar preocupado.

“Entrei em campo para ser campe√£o. Quem entrar em campo a gente tra√ßa”, disse o pr√©-candidato do PSL.

Bolsonaro reconheceu que pode ser obrigado a montar uma chapa puro-sangue, mas demonstrou interesse em uma aliança com o partido do senador Magno Malta (ES), o PR, que tem 41 deputados e poderia somar 45 segundos de tempo de TV aos 8 segundos que o presidenciável tem sozinho.

“Vamos supor que o PR queira compor comigo ofertando o Magno Malta que, para mim, seria excepcional. A depender de mim, ele seria [vice em sua chapa] a partir de hoje”, disse Bolsonaro, que deixou a feira sem se encontrar com Alckmin.

“Se encontrasse ele, desejar-lhe-ia boa sorte e poucos votos”, ironizou.

Para evitar o encontro com o adversário, o pré-candidato tucano atrasou sua chegada em quase duas horas.

Assim que apareceu, antes de tamb√©m vestir um chap√©u de r√°fia e subir em um carrinho de golfe com adesivo de “exclusivo para deficientes, idosos e gestantes”, foi instado a apresentar uma contraproposta ao armamento de camponeses.

“Cada produtor rural deve ter um trator para poder produzir, alimentar o povo, melhorar a produtividade”, afirmou, considerando tamb√©m “intoler√°vel” a invas√£o de propriedades.

“Invadiu, desinvade”, disse o tucano, questionado tamb√©m sobre Funrural, imposto que incide sobre a receita da comercializa√ß√£o da produ√ß√£o rural.

No campo da política, Alckmin negou ter conversado com o presidente Michel Temer depois que ele disse ao G1 estar sendo procurado com insistência pelos tucanos.

Ele tamb√©m afirmou que n√£o conversou com Rodrigo Maia (DEM-RJ), ap√≥s a entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em que o presidente da C√Ęmara e pr√©-candidato √† Presid√™ncia da Rep√ļblica disse que a alian√ßa entre DEM e PSDB estava chegando ao fim.

“N√≥s respeitamos”, limitou-se a comentar Alckmin, que nesta quarta-feira ainda se encontraria em Bras√≠lia com um representante do Pros.

Na feira, o ex-governador de São Paulo tirou fotos com eleitores, parou para tomar cafezinho, experimentar churrasco, caminhar por um campo de flores e posar com bois. A pedido de jornalistas, subiu em uma rampa de madeira suja com fezes de gado para ser fotografado diante de girassóis.

Ao passar pela "Barraca da Honestidade", estande de um grupo ligado à maçonaria, Alckmin acenou e prometeu voltar, o que não aconteceu.

Quando passava de carrinho pela exposi√ß√£o ouviu um grito de “√© Bolsonaro”. Ignorou.

O estudante de administra√ß√£o Francisco Cenci, 24, trajava uma camisa onde se lia “Bolsonaro presidente”. Vestiu a roupa pelo avesso para posar com Alckmin.

“Estou em d√ļvida ainda”, explicou o jovem.

Fonte: FOLHA

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